quarta-feira, 18 de agosto de 2010


Vai, pode ir. Estou te dando a liberdade.
A Santa, que foi perdida em meio à tantos sentimentos calados.
A liberdade invejada, almejada. Abra os braços, grite. Festeje aquilo que lhe foi tirado de maneira estúpida.
Sei que nunca te possui, pois a vontade de fuga sempre foi maior do que qualquer sentimento habitante desse medíocre coração.
Saia correndo debaixo dessa chuva. Jogue tudo pro alto, perca a estribeira, afinal, nada é mais importante do que a liberdade.
Bata as asas como se fosse uma borboleta que acabara de sair de um casulo pequeno e frágil. Amor se tem por aquilo que é conquistado, e consequentemente você não me conquistou. Eu a conquistei e por ti, tenho amor. A vida é passageira, e o amor pode até ser inacabável, mas não, incansável. Eu cansei, de verdade.
Agora, só queria mesmo poder te colocar dentro de um pote, e queria também, sentar ali, naquela calçada e choramingar feito criança. Mas não posso, tenho de pensar que ainda sou e serei forte. Tenho de me acalmar, parar de chorar - e de soluçar.
Odeio despedidas, e hoje, estou me sentindo como se fosse apenas um casulo vazio, cinza e sem serventia, vendo você, minha borboleta, indo embora, à procura de flores coloridas e cheirosas.
Solitária, porém, muito amada. Sozinha, alegre e admirada. Um pé, com um número mágico, sem calçado. Tão Cinderela voadora, tão rainha, sem trono, mas cheia de súditos... e coroas.
Bela e livre, tão livre que não se pode ser trancafiada, nem pelo amor, nem por mim, nem por ninguém, seu mundo é o céu. Bailarina dos ares.
Carrasca do coração. Alimento dos olhos.

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