quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lembro-me perfeitamente do dia ensolarado em que eu te encontrei. Já faz algum tempo, eu sei. Eu sei que talvez, eu devesse mais do que simplesmente esquecer tais datas, mas pretendo ficar em débito com os sentimentos restados, simplesmente porque não consigo sequer me desfazer de algumas lembranças sólidas, imagine se conseguiria então, me desfazer das pequenas lembranças... Enfim. Lembro-me SIM, daquele dia quente de fevereiro. Naquele instante, pra mim, ele já não estava mais quente. Eu sentia frio, um frio ali, na espinha, e outro na barriga. O motivo? Eu estava rumando ao seu encontro. Sim, aqueles encontros pelos quais, eu esperava, e sofria tanto. A saudade batia e doía, como nunca! Eu não ligava, sabia que mais dia, ou menos dia, você voltaria. E voltou, naquele dia. Contei cada milésimo de segundo daquela semana, e ela havia passado tão devagar, mas naquela hora, daquele dia, eu já não me recordava mais disso.
Cheguei, para te ver, onde você já me esperava, com uma sacola meio verde numa das mãos, e como de costume, um cigarro noutra. Naquele momento, meu sorriso se abriu tão sincero, quanto o de uma criança que acabara de abrir o único presente deixado debaixo da árvore de Natal. Dentro daquela sacola verde, havia um botão de rosa. Uma botão de rosa vermelha. Eu já tinha ganhado tantos buquês ao longo da minha vida, que olhando por um ângulo, um botão de rosa semi vivo não faria tanta diferença assim... Mas fez.
Os outros buquês enormes, volumosos e vermelhos feito sangue, não fizeram tanto sentido, quanto aquele botão de rosa vermelha solitária fez.
Ele ali, significava o momento do nascimento do nosso amor. Sem nenhum motivo, razão ou circunstância. Sem nenhuma consistência, ou sentido. Sem nenhuma outra intenção, a não ser a intenção de simplesmente ser e ser (quase que) pra sempre.
Marcou o ínicio, o meio e o fim de uma história não tão bonita quanto às histórias dos filmes, mas uma história que foi tão singela, e verdadeira quanto àquele botão de rosa.
Ele tava pequenininho, nascendo e lutando para crescer, assim como nossos sentimentos (quase que) recíprocos. Mas como qualquer botão de rosa, o nosso amor também necessitava de mais do que amor para crescer. Reguei da melhor forma que eu pude, tanto o amor, quanto o botão. Eles cresceram, vingaram, desabrocharam. O botão virou uma rosa exuberante, que se sobressaía diante de qualquer outra flôr nos jardins. Assim como o nosso amor. Passou-se o tempo, a rosa resistiu, e o nosso amor também.
Mas um dia, assim como todas as pessoas e tudo que nesse mundo é considerado vivo, a rosa morreu.
Apodreceu, secou e ficou totalmente sem cor, assim como, de novo, o nosso amor.
Procurei o meu erro, o seu erro, os nossos erros, procurei os motivos, as razões e até as circunstâncias pelas quais, deixei escapar por entre os dedos, os sentimentos mais sinceros, que um dia, eu já havia possuído. Mas não achei. Sofri calada, sozinha, e abandonada, feito àquela rosa seca, que agora, não habitava mais nem os belos jardins, nem os belos vasos. Fazia morada dentro de um livro velho e desinteressante.

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