sexta-feira, 7 de maio de 2010


Me peguei pensando nas ilusões que vivi ao seu lado e mesmo estando ao seu lado, percebo que vivi ilusões na solidão. Talvez elas tenham sido criadas por mim mesma, num belo poço de água turva do qual eu nunca saí. Sei que pra eu me afundar, não me bastou estar sozinha, precisei de um empurrão e a mão que me empurrou, com certeza era sua. Tão sua, quanto minha. E essa mesma mão, era aquela que apertava a minha mão quando eu sentia medo. A mão que me prendia, me segurava, me socorria, era a mesma mão que alguns dias depois iria me empurrar do penhasco, me afundar na água turva e me sufocar sem ter um motivo concreto. As ilusões, tão toscas, tão ridículas e tão criadas por nós mesmos, quando somos meras criaturas de outras ilusões.
O tombo, ou a submersão no poço de águas turvas e reais é tão dolorido quanto uma facada no peito, embora o caminho de volta seja difícil e solitário, sempre é preciso voltar.
O poço só tem uma saída, e nadando na realidade percebemos que essa saída é por cima. E que não há outro caminho a não ser esse.
Quando somos derrubados, ou mesmo quando caímos sozinhos, notamos também, que sempre somos sozinhos, e que o fato de pensarmos que não estamos sozinhos nunca, é outra ilusão. O coração e os sentimentos possuem teias, e essas teias nos prendem, são complicadas, machucam e fazem doer. Teias de ilusões, e quando dizem que nunca nos iludimos sozinhos, soa como incoerência, por acaso somos iludidos por alguém?
Não, não somos, quando fantasiamos e criamos ilusões afetivas com qualquer outra pessoa, criamos sozinhos, mesmo que essas tais pessoas nos dê um embalo. A criação é nossa, o caminho até pode ser à dois, ou à três. Mas a criação é única, individual. Eu me iludi sozinha, criei sozinha, mas não caí sozinha, precisei de um empurrão, de uma força pra que pudesse submergir naquelas águas turvas.
Precisei também, criar, achar ou até mesmo inventar uma força muito maior pra conseguir emergir e voltar a respirar olhando pras realidades que estavam ao meu redor nadando, nadando e nadando.
Sobrevivi. Não sei como, mas sobrevivi. Sozinha, do mesmo jeito que criei as ilusões, emergi, me salvei, abri meus olhos e pude enxergar que por mais doloroso que seja um tombo ou uma submersão, a lição que ganhamos no final da história é bem mais valiosa do que se todas aquelas ilusões bonitinhas e amorosas tivessem virado realidade nua e crua. O ser que eu criei e que respirava embaixo d'água é muito mais forte do que todas as mãos que tentaram me empurrar novamente.

Um comentário:

Piih disse...

Poxa! Eu vim pra mudar isso! ♥